Escritório de Flávio emitiu R$ 13,7 milhões em notas sem detalhar serviços
Senador foi contratado para prestar “assessoria jurídica” para outros escritórios, empresas e até uma pessoa física
O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL) emitiu R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho deste ano, enquanto exercia mandato de senador. As notas não detalham os serviços prestados.
Documentos vistos pela coluna apontam que a Simas Industrial de Alimentos foi a primeira cliente do escritório de Flávio, que emitiu uma nota de R$ 1 milhão contra a empresa, que usa o nome comercial Sam’s e atua na fabricação de balas e pirulitos, logo na primeira semana de 2023.
A nota não detalha a atuação do senador/advogado e somente diz que os pagamentos eram referentes a “honorários advocatícios conforme contrato firmado em 5/12/2022”, pelo que apurou a coluna. Em dois anos, Flávio recebeu R$ 3,3 milhões da Sam’s, como publicou primeiro o UOL.
Depois, o senador passou a atuar de forma contínua para o escritório de Otto Medeiros Azevedo, um advogado de Cuiabá (MT), com pagamentos mensais de R$ 50 mil entre janeiro de 2023 e maio de 2025. O valor caiu para R$ 40 mil ao mês e seguiu assim até pelo menos julho passado. A “assessoria jurídica” continuou mesmo com Flávio em pré-campanha.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
Em maio de 2025, o agora candidato à Presidência da República emitiu uma nota de R$ 400 mil contra a Inovaconnect Solutions Desenvolvimento LTDA, de Fortaleza, cancelou e a substituiu por uma de R$ 200 mil. O serviço foi de “assessoria jurídica”.
Para o escritório carioca de advocacia de Leonardo Amarante foram três notas, também de “assessoria jurídica”, que somaram quase R$ 240 mil, entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024.
O empresário Marco Antonio Grecco, CEO do GNPW Group, uma empresa de geração de energia, contratou o escritório de Flávio em meados de 2025. As notas, também para “assessoria jurídica”, de R$ 2,360 milhões, foram emitidas pela banca contra Grecco na pessoa física.
Em questão de minutos, já em maio deste ano, o escritório de Flávio emitiu quatro notas de R$ 242 mil cada uma (R$ 968 mil no total) contra outra banca, a D.B Tesser Sociedade de Advogados, esta paulista. O serviço também foi de assessoria jurídica – uma quinta nota foi cancelada, pelo que apurou a coluna.
Já contra a Conecta Comercio de Serviços, uma empresa de tecnologia de Alphaville, foram duas notas, de totais R$ 150 mil, também em meados do ano passado. Mais uma vez o serviço descrito é de “assessoria jurídica”, sem maiores detalhes.
Como o Metrópoles revelou em julho, na coluna Tácio Lorran, o escritório de Flávio também emitiu e cancelou duas notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão em favor de uma empresa de fachada usada por Daniel Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master, a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Uma terceira nota não foi cancelada.








