O governo italiano confirmou, nesta segunda-feira (19), a mobilização de 500 militares adicionais para reforçar a segurança em Milão. A decisão ocorre na esteira de uma sequência de saques e confrontos violentos que tomaram as ruas da cidade durante o último final de semana, gerando preocupação entre as autoridades nacionais.
Reforço na segurança pública
A iniciativa foi adiantada pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, e deve ser formalizada através de um decreto-lei de segurança pública. O texto está na pauta do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni para análise nesta terça-feira, 20. Comemorando a medida, o vice-premiê, que lidera o partido de direita Liga, celebrou a decisão em suas redes sociais: “Das palavras à ação! Mais 500 militares para proteger Milão. Uma vitória para a Liga”.
Cenário de conflitos pelo país
As manifestações, que reuniram estudantes, trabalhadores e movimentos sociais em cidades como Roma, Turim e Bolonha, foram marcadas por pautas como direitos trabalhistas e melhores serviços públicos. Contudo, em locais como Milão, Turim e Bolonha, o clima de tensão escalou para embates diretos com as forças de segurança. O uso de gás lacrimogêneo, canhões de água e arremesso de pedras resultou em danos ao patrimônio e diversas detenções.
Balanço e feridos
Embora um balanço oficial consolidado não tenha sido emitido pelas autoridades até a noite de sábado, relatos da imprensa local indicam cerca de 50 prisões em Milão e sete em Bolonha. O saldo de feridos inclui aproximadamente 20 manifestantes e pelo menos um agente policial. Entre os atingidos está Angelo de Simone, dirigente da polícia e chefe de um comissariado, que sofreu um ferimento na cabeça.
Novas medidas e diretrizes governamentais
Em reunião no Palazzo Chigi, a cúpula do governo, incluindo o setor de inteligência e forças de segurança, debateu o endurecimento das normas. O Executivo estuda ampliar a operação Strade Sicure e conferir funções de polícia judiciária aos militares. Entre as propostas, discute-se a ampliação do tempo de detenção preventiva para 24 horas e a criação do crime de dano qualificado, além de permitir a prisão em até 48 horas após o flagrante em casos específicos.
O presidente Sergio Mattarella se manifestou sobre os episódios, repudiando a violência, mas instando as autoridades a manterem a cautela na interpretação dos eventos. “Toda forma de violência é inaceitável”, afirmou Mattarella, ao destacar a necessidade de uma “análise inteligente e aprofundada” e de uma vigilância capaz de combater atos violentos praticados por pessoas que até então não estavam envolvidas nesse tipo de episódio.








