Uma onda de manifestações tem tomado as ruas de diversos países europeus nas últimas semanas, impulsionada por insatisfações que variam desde o custo da educação até a crise habitacional. O movimento, que teve início em setembro com estudantes franceses, rapidamente se expandiu para nações como Bélgica, Itália, Grécia e Albânia, além de mobilizações específicas sobre o preço dos imóveis em Portugal e Espanha.
A situação crítica na França
Diante de distúrbios e saques que marcaram o último fim de semana, a França anunciou a implementação de toques de recolher noturnos em cidades como Lille, Douai, Wattignies e Denain. A medida, que vigora das 20h às 6h, foi confirmada pelo gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, “com o consenso dos prefeitos envolvidos”.
O governo busca conter a violência que já resultou em 2.400 detenções e deixou quase mil policiais feridos desde o início dos atos. Lecornu defendeu a estratégia de “toques de queda pontuais e muito localizados” como alternativa ao estado de emergência. Sobre a gestão da crise, o presidente Emmanuel Macron declarou: “Como puderam chegar a esse ponto? Nada explica, nada justifica”. O líder francês acrescentou ainda: “Aqueles que destruíram devem pagar, aqueles que tentaram derrubar a República irão responder por isso.”
Reivindicações estudantis e sociais
Os protestos estudantis ganharam contornos diferentes em cada região. Enquanto na Bélgica o foco são as altas mensalidades e a superlotação das salas, na Albânia os universitários denunciam a corrupção e a falta de oportunidades profissionais. Em Milão, na Itália, os estudantes exigiram o redirecionamento de investimentos militares para a educação.
Na França, os estudantes encontraram apoio nos movimentos sindicais e nos chamados coletes amarelos. O cenário de insatisfação é agravado pelo aumento do custo de vida, que tem levado centenas de milhares de pessoas às ruas de forma pacífica, apesar dos episódios isolados de vandalismo.
Crise habitacional na pauta da União Europeia
Paralelamente aos conflitos, o Conselho da União Europeia aprovou recomendações para combater a exclusão residencial. Com o preço dos imóveis disparando mais de 60% entre 2013 e 2024 e mais de um milhão de cidadãos sem teto, o bloco sugere aos Estados-membros a criação de mecanismos de alerta precoce contra despejos e o aumento da oferta de moradias sociais.
A estratégia europeia foca na proteção de famílias vulneráveis e no incentivo ao investimento público e privado para construção e reforma de imóveis. Embora as diretrizes não tenham caráter vinculativo, a União Europeia espera que os países adotem metas mensuráveis para mitigar o impacto da crise, reforçando o compromisso com a estabilidade social em um momento de alta tensão política no continente.








