A Brasil Game Show iniciou sua trajetória em 2009 e rapidamente alcançou o posto de principal evento do setor em toda a América Latina. A feira funcionou por anos como o principal palco para grandes anúncios, reuniu os melhores títulos de múltiplas gerações de consoles e apresentou ao público os principais estúdios e desenvolvedores do mercado global.
A transformação do maior evento gamer da região
Historicamente, a importância do encontro para o país era comparada ao peso que a E3 tinha na indústria mundial. No entanto, as edições recentes deixaram claro que o foco mudou drasticamente. Entre lojas de utilidades domésticas, escassez de lançamentos e praças de alimentação gigantescas, a feira encolheu e perdeu parte de sua essência tradicional voltada estritamente aos videogames.
A nova identidade focada em influenciadores
Ao longo de 17 anos, o público acompanhou transições de gerações de consoles, a ida e o retorno da Nintendo, o retorno marcante da SEGA e o sumiço repentino de gigantes como Sony e Microsoft. Atualmente, a lista oficial de presenças conta com mais de 100 personalidades da internet, transformando o evento em um ponto de encontro para conectar fãs aos seus criadores de conteúdo favoritos.
Entre os visitantes, as críticas foram recorrentes sobre a falta de grandes fabricantes, estandes mais vazios e o excesso de foco em áreas de vendas.
Uma das entrevistadas até reclamou que “o foco da BGS é vender estande, dane-se quem traz o povo que paga”, em referência à falta de carinho nessa frente.
A visão das marcas e expositores
Enquanto parte do público se mostrou frustrada com a experiência, as marcas enxergam a convenção sob outra perspectiva. A aproximação com a comunidade e o fortalecimento de parcerias continuam sendo grandes atrativos para empresas de diferentes setores.
“É o terceiro ano que nos encontramos na BGS e é a forma de trazermos para o mundo real todo o engajamento que existe no digital. Temos desconto aqui no estande da Team Liquid para as compras com o cartão VISA, além de trazermos ativações diferentes. É a forma que podemos tangibilizar todo esse amor que a comunidade sente pela equipe”, revelou Mariana Diniz, gerente executiva de marketing da VISA.
A visão é compartilhada pela gestão da equipe de esports.
“Os eventos são estratégicos para a Liquid para ampliarmos o fandom. Quando vamos, fazemos a inserção de loja com colaborações para alcançar públicos que podem não conhecer o time e os atletas, mas conhecem o anime Frieren — que é uma collab que lançamos recentemente. Eles fazem a compra com o cartão VISA e conhecem os influenciadores. Essas exposições têm esse papel dentro da nossa estratégia a longo prazo, de ser uma organização que mesmo global, é cada vez mais brasileira. Estamos felizes de participar em 2026, mostrando para o cenário que acreditamos nas conexões que podem parecer digitais, mas existem no off”, pontuou Miah Campos, general manager da companhia.
O papel dos criadores de conteúdo
A criadora Beatriste, que atua como caster e analista de esports, também avaliou os pontos positivos e negativos do evento atual.
“A BGS 2026 foi uma experiência interessante, principalmente por dar espaço para projetos que estão no início de sua jornada e para iniciativas menores, que buscar crescer dentro do mercado. Acho importante que a feira também abra essas portas. Por outro lado, em relação à sua capacidade, senti uma diferença considerável em relação aos anos anteriores. A presença de grandes marcas e a quantidade de estandes foram reduzidas. Como caster e influenciadora, isso muda um pouco a experiência porque sentimos essa diferença, tanto nas ativações quanto nas oportunidades de interação com as marcas e com o público”, destacou a especialista.
A ausência de gigantes como PlayStation, Xbox, Ubisoft, NVIDIA e AMD evidenciam que o mercado corporativo tradicional tem buscado outros caminhos. Enquanto a feira pionera se reinventa como um festival de entretenimento e cultura pop, o público gamer brasileiro ganha novas alternativas no calendário, como a gamescom latam.








