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Criador de IA que atraiu homem em 2 mil km confessa medo

Responsável por perfil falso diz que objetivo era apenas gerar vendas e alerta público sobre riscos de golpes na internet.

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Criador de perfil de IA que fez homem viajar mais de 2 mil km se pronuncia e confessa medo; ouça Homem viaja mais de 2 mil km para encontrar pretendente virtual e descobre que ela foi criada por IA. (Foto: Reprodução; T1kT0k/ Unsplash)

O autor da conta digital gerada por inteligência artificial que motivou uma longa viagem de mais de 2 mil quilômetros quebrou o silêncio nesta quinta-feira (15). O responsável, que preferiu não revelar sua identidade, admitiu estar assustado com a imensa repercussão do episódio e justificou que o intuito inicial era “exclusivamente gerar vendas”.

A origem da personagem virtual

Criada em 2025, a personagem chamada Jessica Oliveira surgiu no TikTok com o propósito de atrair potenciais compradores para produtos divulgados na página, garantindo assim uma renda extra ao seu desenvolvedor. Com mais de 300 mil seguidores acumulados, a página também expandiu sua presença para o Facebook e o Kwai antes de ser desativada na última quarta-feira (14).

O caso ganhou enorme repercussão após envolver Edimar Rocha Martins, morador de Imperatriz, no Maranhão, que se deslocou até Belo Horizonte, em Minas Gerais, acreditando que encontraria sua pretendente. A falsa persona simulava ser viúva e utilizava bordões românticos em suas publicações.

Defesa do criador e alerta

O dono da conta negou veementemente qualquer contato direto com seguidores ou incentivo para que viagens fossem realizadas. “Eu quero deixar bem claro que esse perfil nunca mandou mensagem para ninguém, nunca chamou ninguém para ir para Belo Horizonte. Ele só foi criado com o intuito de fazer vendas. Depois que esse perfil parou de me gerar renda, depois que eu aprendi mais sobre inteligência artificial, eu parei de fazer e fui para outros ramos da internet”, pontuou.

O autor ainda complementou que os vídeos funcionavam apenas como estratégia de marketing. “Esses vídeos nunca foram feitos para causar esse tipo de transtorno na vida de ninguém. Os vídeos foram um gancho para chamar atenção, [para que] depois que eu conseguisse um público, começasse a postar vídeos sobre vendas”, argumentou, reforçando o receio diante da atual situação.

Posicionamento da polícia

De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a utilização de tecnologias de inteligência artificial para a criação de perfis fictícios não configura crime por si só. No entanto, a corporação ressalta que práticas do tipo podem resultar em responsabilização criminal caso envolvam fraudes, estelionato ou prejuízos financeiros às vítimas.

Até o momento, não há registro formal de boletim de ocorrência sobre o caso específico envolvendo a viagem, o que impede investigações preliminares sem a constatação de elementos concretos de ilicitude.

Como se proteger de fraudes virtuais

Especialistas em segurança e autoridades recomendam cautela redobrada na internet para evitar cair em fraudes sentimentais:

Desconfiar de perfis que evitem encontros presenciais ou verificações de identidade por videochamada; Não realizar transferências bancárias, pagamentos ou empréstimos a pessoas conhecidas exclusivamente pela internet; Verificar a autenticidade de fotografias e perfis, inclusive por meio de pesquisas reversas de imagens, lembrando que esses procedimentos não garantem a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial; Evitar o compartilhamento de documentos pessoais, dados bancários e imagens íntimas com desconhecidos; Antes de realizar viagens ou assumir compromissos financeiros motivados por relacionamentos virtuais, buscar confirmar a identidade e a veracidade das informações fornecidas; Em caso de suspeita de golpe, preservar mensagens, comprovantes, perfis, números de telefone e demais evidências digitais, além de registrar ocorrência policial.

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