Um morador legal dos Estados Unidos, identificado como Alberto Hernandez Castillo, de 40 anos, foi preso no Aeroporto Internacional de Miami, na Flórida, após agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras descobrirem dez pássaros vivos escondidos em sua cueca.
Inspeção e abordagem no aeroporto
A detenção ocorreu no dia 4 de outubro, logo após o desembarque do voo 503 da World Atlantic, originário de Havana, capital de Cuba. Selecionado para uma verificação secundária, o homem havia preenchido um formulário alfandegário negando o transporte de animais ou espécimes silvestres, declarando apenas uma pochete e uma bagagem de mão sob o pretexto de visitar familiares.
A atitude nervosa do viajante e um volume atípico próximo à sua cintura chamaram a atenção da fiscalização. Durante a revista em uma sala reservada, os policiais encontraram seis tubos plásticos transparentes com telas nas aberturas, envoltos em fita adesiva e guardados em bolsos costurados na cueca do passageiro.
Espécies apreendidas e mercado ilegal
Dentro dos recipientes estavam dez aves de duas espécies distintas: oito exemplares de Tiaris olivaceus, conhecidos como papa-capim-de-cara-amarela, e dois da espécie Passerina caerulea, chamados de azulão-de-bico-grosso ou azulejo-real. Tais espécies são comumente visadas pelo comércio clandestino para criação em cativeiro e torneios de canto, sendo que a segunda também conta com proteção legal nos EUA.
Questionado sobre os animais, Castillo afirmou aos agentes que as aves seriam para seu “uso pessoal”. Na sequência, ele exerceu seu direito de permanecer em silêncio. Como não possuía a documentação exigida para a importação legal, ele foi autuado por contrabando. O suspeito compareceu à Justiça de Miami, obteve liberdade após pagar fiança de US$ 25 mil e aguarda audiência formal marcada para 26 de outubro, enquanto o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos investiga o caso.
Incidente semelhante dias depois
Apenas dois dias após o flagrante com Castillo, outro passageiro proveniente de Havana foi detido no mesmo terminal aeroportuário transportando 11 pássaros vivos sob as vestes. Roberto Perez Quincosa usava uma cinta com tubos plásticos para carregar cinco aves da espécie Melopyrrha nigra e seis da Tiaris canora.
Enquanto o primeiro suspeito alegou finalidade própria, Quincosa confessou que pretendia comercializar os animais nos Estados Unidos por valores entre US$ 100 e US$ 120 cada. “Quase todos os transportadores são mulas descartáveis e fazem parte de algo muito maior. Não são os chefes nem os coordenadores”, pontuou Paul Reillo, pesquisador da Universidade Internacional da Flórida.








