Novos bombardeios russos atingiram a cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, resultando na morte de pelo menos 15 pessoas, incluindo três crianças, durante um sábado marcado por intensa violência.
Destruição em áreas residenciais
De acordo com autoridades policiais, o exército russo disparou cinco bombas contra zonas residenciais distantes da linha de frente. Duas delas atingiram diretamente edifícios de apartamentos, soterrando moradores e destruindo lares.
O voluntário Daniil Pishkin relatou o cenário dramático nos escombros: “Vimos pessoas sob os escombros, uma mulher, o marido e uma criança”, disse à AFP. Duas pessoas foram resgatadas dos destroços, mas “infelizmente uma menina pequena morreu”.
Entre os sobreviventes, o trauma e a perda marcaram os moradores. Irina, de 69 anos, conseguiu se proteger no banheiro, mas perdeu amigos vizinhos. “Tinham 75 anos. Foram projetados para a rua. Não sobreviveram no caminho até o hospital”.
Crise energética e blecautes em Kiev
A capital ucraniana também sofreu os impactos da ofensiva, registrando explosões e cortes severos de eletricidade. O prefeito Vitali Klitschko confirmou que um restaurante foi destruído por um dos projéteis, enquanto a empresa de energia DTEK relatou falhas generalizadas no fornecimento.
Acordo de diesel entre EUA e Rússia
Em paralelo ao aumento das hostilidades, a diplomacia internacional movimentou-se após uma ligação entre o presidente americano Donald Trump e o líder russo Vladimir Putin. O republicano anunciou um pacto comercial para o fornecimento de combustíveis.
“A Rússia fornecerá imediatamente mais de 300.000 toneladas de diesel aos mercados americano e global, e outras 500.000 toneladas em novembro”, publicou Trump em suas redes sociais, após conversar com Putin.
A medida visa conter o encarecimento dos combustíveis nos Estados Unidos antes das eleições de 3 de novembro, mas gerou indignação imediata em Kiev. O presidente Volodimir Zelensky classificou o entendimento como “indigno”.
“A Rússia expressou agradecimento pela suspensão das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas contra prédios residenciais em Zaporizhzhia”, denunciou o ucraniano. Em sua página no Facebook, ele acrescentou: “A Rússia escolheu a guerra” e ontem “recebeu a mensagem de que poderia seguir atacando”.
Reação europeia e negociações de paz
O alívio nas sanções contra Moscou desagradou os aliados europeus. A Alemanha e a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, criticaram a decisão e reforçaram que a Europa continuará pressionando o Kremlin. “Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará”, escreveu na rede social X.
Enquanto isso, representantes dos EUA, Ucrânia, União Europeia e Otan mantêm conversas paralelas sobre energia, grãos e segurança. No entanto, as exigências territoriais russas sobre a região do Donbass continuam sendo o principal obstáculo para qualquer acordo de paz duradouro.








