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Navi Pillay vence Prêmio Nobel da Paz de 2026 por direitos humanos

A jurista sul-africana de 85 anos foi premiada em Oslo por sua trajetória histórica contra o apartheid e no direito internacional.

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Nobel da Paz 2026 é concedido à jurista sul-africana Navi Pillay

A renomada jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (9) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. A honraria foi concedida pelo Comitê Norueguês do Nobel em reconhecimento à sua incansável atuação na defesa dos direitos humanos, no combate à discriminação racial e no fortalecimento do direito internacional.

Trajetória marcada pela luta contra o apartheid

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem indiana tâmil, a jurista construiu sua carreira durante o apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país até o início da década de 1990. Ela iniciou sua trajetória profissional como advogada em uma época em que a população negra e outros grupos não brancos enfrentavam graves restrições de direitos civis e políticos impostas pelo governo segregacionista. Durante esse período, atuou para garantir que Nelson Mandela tivesse acesso à assistência jurídica enquanto estava preso. Sua participação na luta contra a segregação racial foi reconhecida pelo Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou o movimento de oposição ao regime. Posteriormente, Mandela a nomeou para a Suprema Corte da África do Sul, tornando-a a primeira mulher não branca a integrar o tribunal.

Segundo o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, Pillay foi escolhida “por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.

Frydnes acrescentou: “O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”.

Atuação internacional e tribunais globais

A carreira da jurista também se desenvolveu de forma marcante em instituições internacionais. Pillay atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado pelas Nações Unidas para responsabilizar os envolvidos no genocídio de 1994. Além disso, entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, sendo responsável por acompanhar e denunciar violações de direitos humanos em diferentes países ao redor do globo.

Mais recentemente, Pillay presidiu uma comissão internacional independente de investigação criada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para examinar violações do direito internacional nos territórios palestinos ocupados e em Israel. Em setembro de 2025, a comissão concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza, acusação que foi rejeitada pelo governo israelense. A investigação examinou a conduta das forças israelenses durante a guerra iniciada após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, embora a conclusão da comissão não equivalesse a uma sentença da Corte Internacional de Justiça, órgão judicial da ONU responsável por julgar disputas entre Estados.

Detalhes da premiação e repercussão

O anúncio oficial ocorreu em Oslo, na Noruega. Com a conquista, Pillay se torna a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz na história, conforme os dados apresentados pelo comitê organizador. Durante a cerimônia, Frydnes revelou que a equipe ainda não havia conseguido falar com a vencedora para dar a notícia e brincou com a situação: “Se você [Pillay] vir um número norueguês ligando, por favor atenda”.

Além da tradicional medalha de ouro com o perfil de Alfred Nobel, a jurista sul-africana receberá um prêmio no valor de 12 milhões de coroas suecas, o que equivale a aproximadamente R$ 6 milhões.

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