O declínio da biodiversidade global atingiu patamares alarmantes nas últimas cinco décadas. Entre 1970 e 2022, as populações de espécies de vertebrados selvagens — incluindo mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis — sofreram uma redução média de 73%. O monitoramento anual indica que esse encolhimento ocorre a um ritmo de 2,5% ao ano, segundo o relatório Planeta Vivo, fruto de uma parceria entre a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) e o WWF Internacional.
H2: O impacto nos diferentes ecossistemas Os dados são extraídos do Índice Planeta Vivo (IPV), que avalia a abundância de mais de 35 mil populações de quase 6 mil espécies distintas. O estudo destaca que os ambientes de água doce são os mais afetados, registrando uma queda de 85% no período, o que representa uma média de 3,6% ao ano. “Por exemplo, os peixes são frequentemente ameaçados por alterações em seu habitat, incluindo barragens e desvios, que podem bloquear rotas de migração essenciais”, destaca o relatório.
Em termos comparativos, o Índice Terrestre apresentou uma retração de 69%, enquanto o Índice Marinho teve uma redução de 59% na abundância das populações oceânicas.
H2: Desigualdade regional na perda de espécies A crise da biodiversidade não afeta todos os territórios da mesma forma. A América Latina e o Caribe lideram as estatísticas negativas, com um declínio de 95% nas populações monitoradas. Na sequência, aparecem a África (80%), a região da Ásia e Pacífico (49%), a América do Norte (28%) e a Europa e Ásia Central (23%).
Sobre a variação regional, Andrew Terry, diretor de conservação da ZSL, pondera: “Na América do Norte, por exemplo, o declínio ocorrido até os anos 1970 foram intensos refletindo uma desaceleração nos anos seguintes”.
H2: Consequências econômicas e o futuro O relatório alerta que a degradação ambiental ameaça a estabilidade econômica global, visto que cerca de US$ 58 trilhões do PIB mundial de 2023 dependem diretamente de serviços providos pela natureza. “A estrutura da vida que sustenta a nossa prosperidade está se desfazendo a um ritmo sem precedentes, impulsionando o aumento da desigualdade”, destaca o relatório.
Kirsten Schuijt, diretora-geral do WWF Internacional, reforça a necessidade de mudanças profundas: “Parar e reverter essa tendência exigirá transformações em sistemas inteiros – desde como produzimos energia e alimentos até como financiamos nossas economias.”
H2: Sinais de esperança e conservação Apesar do cenário crítico, nem tudo está perdido. Metade das populações monitoradas apresentou estabilidade ou crescimento, demonstrando a eficácia de projetos de conservação. O Brasil é citado como um exemplo positivo, com o aumento de 280% na população de onças-pintadas na Mata Atlântica entre 2019 e 2025.
Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil, aponta o caminho: “Isso exige ações de conservação contínuas e em escala, com proteção e restauração dos ecossistemas e enfrentamento das causas da perda de biodiversidade”. O debate sobre essas soluções será central na COP17, em outubro, na Armênia, onde líderes mundiais discutirão o conceito de “ponto de inflexão positivo”.
“A possibilidade de construir um futuro diferente está diminuindo, mas continua aberta. Transformar sistemas complexos na velocidade e na escala necessárias não será fácil. Ao desencadear pontos de inflexão positivos, porém, isso pode acontecer mais rapidamente do que imaginamos”, conclui Daudi Sumba, diretor de conservação do WWF Internacional.







